16/06/2017

Plataforma


Cheguei à estação de metro do trabalho. Ainda tenho tempo.
Deixo-me ficar na plataforma, está fresco e, num dia como o de hoje, isso é uma benção.
Aqui fico, inerte, invisível... Todos seguem seus caminhos, decididos, orientados. Seguem a vida como se de um diagrama do metro se tratasse. Os comboios a apanhar são normalmente​ por esta ordem, estudo, carreira, namoro, casamento, família... Se por qualquer motivo não é assim, achamos que há algo de errado, não com o mundo, mas connosco. E vem uma verdade apetecível.
 "Para sua segurança não entre nem saia do comboio após o aviso sonoro de portas."
O melhor é não entrar não vá ter dado o aviso e estar distraída. Não vá o comboio andar e não me levar ao destino pretendido. E se ainda assim, ousar fazer uma viagem todo o cuidado é pouco. E se este comboio for contra aquilo que construí? E se este comboio não me traz o que preciso? E se este comboio for ainda melhor do que idealizei... Como discernir? Como prever? Como viver?

"Proteja os seus bens. Tenha atenção à entrada e saída do comboio​."

Tenho que ir trabalhar... Não vá esta crise de meia idade durar a tarde toda.

3 comentários:

  1. às vezes entrar num comboio pode nos levar a momentos inesperados https://www.youtube.com/watch?v=xctzp0dp9uc (o youtube é um oceano de cantorias pelos meios de transporte por esse mundo fora! é só procurar..)

    a vida é breve. não há que ter medo das escolhas, às vezes sorrimos e às vezes erramos...

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  2. O meu problema é que sei a teoria toda sobre o que o inesperado me traz. Mas depois os cenários amontoam-se na minha cabeça... E fujo, tenho medo, e protejo-me do bom e do mau, dos sorrisos e dos erros, protejo-me da vida e vou sobrevivendo... Enfim... Que a vida é breve já eu sei, mas como regular este pânico que me congela?
    Obrigada pela partilha! Dá vontade de fazer algo parecido por Lisboa.

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