Não sei exatamente como começar este post, na minha cabeça habita um emaranhado de pensamentos. Não a vi chegar mas a minha vida mudou na última semana. Andei duas semanas a oscilar entre trabalhos, a despedir-me do antigo e a pôr o pé devagarinho no novo. Arrisquei o que tinha, cheia de medo das novas funções, mas seguia em frente, mergulhava de cabeça no desconhecido. Adivinhava-se um parto difícil como é habitual - não sou boa com começos! Até que descobri que a compensação não era a que esperava.
Saltei fora! No dia em que fazia a festa de despedida no antigo emprego informava no outro que não poderia avançar por um valor tão baixo. E os comentários sucediam-se: "E agora? O que é que vais fazer? Então?... Não preferes ficar lá, mesmo sendo menos dinheiro, do que ficar sem nada? Tu é que sabes. É uma boa oportunidade."
É difícil o embate com a realidade. Se por um lado me acalmou saber que não teria de passar por um começo cheio de responsabilidades e expectativas, por outro, há responsabilidades que não se pagam sozinhas.
No dia seguinte, depois de ter formalizado tudo. Cheguei a casa e dormi cinco horas. Acho que o meu corpo se quis inibir de pensar em tudo o que estava a acontecer.
Entretanto já fui a uma entrevista. Não fiquei para o lugar a que me candidatava, mas gostaram de mim e propuseram-me um part-time. Aceitei! É longe, são poucas horas, mas o valor é relativamente justo para as tarefas/responsabilidades. Eu não tenho medo de trabalhar, não posso é aceitar que achem que estou em saldos.
Chamem-me louca, corajosa ou fraca. Não sei o que fui ou consigo estar a ser no meio deste processo. Só sei que tudo isto me devolve sempre a mesma pergunta: "Como é que consigo descobrir o que me faz feliz?"




