09/10/2019
Esperei por ti a vida toda
29/04/2019
Olhos verdes? Plantas a crescer dentro de mim?
Esconderam-me o coração.
Algures entre os pulmões... Deve ser por isso que é tão difícil respirar.
Esconderam-me o coração.
Por entre heras de outros tempos, sei que está por ali mas não sei como lá chegar.
Não tenho plantas a crescer dentro de mim?
Ou terei de chamar um botânico para confirmar?
Esconderam-me o coração.
Ainda assim sei que ele bate baixinho. Sobrevivendo à vida tantas vezes sem se queixar.
Esconderam-me o coração.
Mas eu oiço-o gritar e rir, às vezes num abraço, quando dois corações se juntam e dançam num momento tão pequeno mas tão intemporal.
Esconderam-me o coração.
E talvez só agora o queira encontrar, só agora o saiba estimar... Só agora eu possa brincar.
Coração, pronto ou não, aqui vou eu!
11/04/2019
Porque hoje é quinta
"Vem à Quinta-feira.
É quase fim-de-semana e podemos, talvez, beber uma cerveja
ao cair da tarde, enquanto planeamos a viagem a Paris. E se Paris
for muito caro - sei que isto não está fácil - podemos ir a Guimarães
assistir a um concerto, que ouvir é a maneira mais pura de calar.
Vem à Quinta-feira.
A seguir, temos ainda a Sexta e talvez me esperes à porta do emprego,
e talvez fiques para Sábado e Domingo, e talvez o mundo pare
de acabar tão depressa.
Vem à Quinta-feira.
Mas não venhas nesta, vem na próxima.
Nesta, tenho um compromisso que não posso adiar, é um compromisso
profissional - sabes que isto não está fácil - e talvez nos dê hipótese de irmos
a Paris ou a Guimarães. Vem na próxima, que eu preciso de tempo
para arranjar o cabelo, para arranjar o coração,
para elaborar a lista do que me falta fazer contigo.
Vem à Quinta-feira e não te demores.
Enquanto te escrevo, já fui elaborando a lista
(sabes como gosto de pensar em tudo
ao mesmo tempo)
e afinal o que me falta fazer contigo
não é caro:
- viajar de auto-caravana,
- dançar pela Estrada Nacional,
- ver-te chorar.
Choras tão pouco. Ainda bem que estás contente.
Vem à Quinta-feira.
Se não pudermos ir a Paris ou a Guimarães, não te preocupes.
Vem na mesma, que eu vou apanhando as canas-da-índia, as fiteiras,
eu vou recolhendo a palha e reunindo cordas e lona.
Já estive a aprender no Youtube como se faz uma cabana.
Vem na mesma, que eu vou procurando um lugar seguro.
Vem na mesma porque a cabana, como a casa, só funciona com amor
- ou, pelo menos, é o que diz o Youtube.
Temos ainda tanto para fazer.
Por isso, se algum dia voltares, meu amor, volta numa Quinta."
28/03/2019
Teatro
Antes do meu despertar para o teatro, os meus mestres já lá estavam. Tinham construído as suas casas e as suas poéticas sobre os vestígios das suas próprias vidas. Muitos deles não são conhecidos ou ninguém os recorda: trabalharam a partir do silêncio, na humildade das suas salas de ensaios e dos seus teatros cheios de espectadores e lentamente, após anos de trabalho e feitos extraordinários, foram deixando o seu lugar e desapareceram. Quando percebi que o meu ofício e o meu próprio destino seria seguir os seus passos, entendi também que herdava deles essa tradição fascinante e única de viver o presente sem outra expectativa que alcançar a transparência de um momento irrepetível. Um momento de encontro com o outro na penumbra de um teatro, sem mais protecção do que a verdade de um gesto, de uma palavra reveladora.O meu país teatral são esses momentos de encontro com os espectadores que, noite após noite, entram na nossa sala, vindos dos cantos mais distantes da minha cidade para nos acompanhar e partilharmos umas horas, uns minutos. Com esses momentos únicos construo a minha vida, deixo de ser eu, de sofrer as minhas dores e renasço e compreendo o significado do ofício de fazer teatro: viver instantes de pura verdade efémera, onde sabemos que o que dizemos e fazemos, ali, sob a luz dos projectores, é verdadeiro e reflecte o mais profundo e o mais pessoal de nós próprios. O meu país teatral, o meu e o dos meus actores, é um país tecido desses momentos onde abandonamos as máscaras, a retórica, o medo de ser quem somos e nos damos as mãos na penumbra.A tradição do teatro é horizontal. Não há quem possa afirmar que o teatro está em algum centro do mundo, em alguma cidade, em algum edifício privilegiado. O teatro, tal como eu o recebi, espraia-se por uma geografia invisível que entretece as vidas dos que o fazem e o ofício teatral num mesmo gesto unificador. Quando morrem, todos os mestres do teatro levam consigo esses momentos de lucidez e de beleza irrepetíveis; todos desaparecem do mesmo modo sem deixar outra transcendência que os ampare ou faça ilustres. Os mestres do teatro sabem-no, não há reconhecimento que valha perante esta certeza que é a raiz do nosso trabalho: criar momentos de verdade, de ambiguidade, de força, de liberdade na maior das precaridades. Deles não sobreviverão senão dados ou registos de trabalhos em vídeo e fotografias que recolheram apenas uma pálida ideia do que fizeram. Faltará sempre nesses registos a resposta silenciosa do público que entende num instante que o que ali se passa não tem tradução possível nem se encontra fora de cada um, que a verdade que ali se partilha constitui uma experiência de vida, por segundos mais diáfana do que a própria vida.Quando compreendi que o teatro é, em si mesmo, um país, um território que abarca o mundo inteiro, nasceu em mim uma decisão que é também uma liberdade: não tens de te afastar ou mover-te do sítio onde te encontras, não tens de correr ou mudar de local. Aí, no ponto em que existes, está o público. Aí, tens a teu lado os companheiros de que necessitas. Ali, fora da tua casa, está toda a realidade quotidiana, opaca e impenetrável. Trabalhas então a partir dessa aparente imobilidade para construir a maior das viagens, para repetir a Odisseia, a viagem dos argonautas: és um viajante imóvel que não cessa de acelerar a densidade e a rigidez do teu mundo real. A tua viagem ruma ao instante, ao momento, ao irrepetível encontro face aos teus semelhantes. Viajas ao seu encontro, rumo ao seu coração, à sua subjectividade. Viajas por dentro deles, das suas emoções, das suas memórias que despertas e agitas. É vertiginosa e ninguém pode medi-la ou calá-la. Também ninguém poderá reconhecê-la na sua justa medida, é uma viagem através do imaginário da tua gente, uma semente que se semeia no mais remoto dos terrenos: a consciência cívica, ética e humana dos teus espectadores. Por tudo isto, não me movo, continuo em minha casa, entre os que me são próximos, numa aparente quietude, trabalhando dia e noite, porque tenho o segredo da velocidade.
26/02/2019
Espero-te
Espero-te, na estação de Sete Rios, como quem espera um comboio. Um comboio não anunciado que dará entrada na linha número 1 e me apanhará de surpresa.
Espero-te, na esperança vã que me tragas as respostas às perguntas que te faço baixinho.
Espero-te, de telemóvel na mão, na procura de alguma coisa para me entreter... Ainda demoras?
Espero-te, a bater o pé no chão, as pernas a tremer e o coração aos pulos. Sei que deves estar a chegar...
Espero-te, mas a verdade é que vais chegando todos os dias mais um bocadinho.
Espero-te, sem bilhete, sem destino, mas disposta a viajar.
Não sei porque te espero, se tudo me diz que não é preciso esperar, basta pôr-me a caminho.
Vejo-te ao fundo, com passo seguro e sorriso no olhar.
Lúcia, és tu?
19/12/2018
Lançamento do Livro - Com o Coração nas Mãos
06/12/2018
Trabalho criativo
29/11/2018
DNA - Homenagem a Pedro Rolo Duarte
18/11/2018
Adeus Amor Adeus
11/11/2018
Dez
2. Sobre estilo e essência. "Who am I, and how i want to show up in the world?"
3. Minimalismo não é só destralhar coisas - Pick Up Limes.
4. Gostei desta ideia de explorar um hobby por ano e ser clara no objetivo a alcançar.
5. Leftover Woman - incrível como a pressão social pode ser tão intensa.
6. Sobre lotaria por Seth Godin.
7. Do what you can't! - Casey Neistat.
8. Medo de existir... Abalar as limitações, largar as histórias...
9. Eu sei mil videos inspiradores, mas gostei muito Kyle Cease.
10. Free Design School.
17/10/2018
VII Cartas a Sofia
Estamos longe. Os nossos dias por vezes geograficamente perto sentimos que vivem a anos-luz. A distância é encurtada num comentário, num like, ou talvez apenas num sorriso por vermos que a outra ainda respira e vai sorrindo também.
Tenho saudades da beira da tua piscina encostada a um pomar de histórias, tenho saudades de um sushi molhado em conversas e abraços. Desfiamos os dias, entre silêncios e músicas.
Gosto tanto de te ler, de te sentir amor em tudo quanto fazes. Pergunto-me se já escreveste "O livro que não existe", ou se vai ficar permanentemente correto esse título roubado a restaurante lá para os lados do Beato.
Combinamos ver-nos em breve? Antes das lareiras acesas? Antes dos casacos resgatados?
Deixo-te como sempre com um poema e uma música para cumprir a regra de Charles Darwin. Ainda te lembras como isto tudo começou?
AUTO-RETRATO de Natália Correia
Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
Para ti, os auspício dos dias que escolhermos viver: The Lumineers - Sleep On The Floor "Cause if we don't leave this town/We might never make it out".
10/10/2018
Dez
2. That Moment You Learn to Love - look before you leap.
3. My instagram crush on a TEDx talk.
4. A Jiji fez-me recordar o que é viver sozinha. - Já lá vão 3 anos e meio...
5. "Um estilo demasiado autoritário resulta sempre em agressão ou fuga mas nunca em paz e os efeitos podem não ser, aparentemente, assim tão traumáticos. Mas podem ser castradores." - A Mum's the Boss e suas verdades.
6. 5 dias fora de casa - estarei sem raízes?
7. Ganhei bilhetes para o Mythos - who are you?
8. 10 anos do blogue Joan of July.
9. Um casamento lindíssimo de uns queridos amigos.
10. We learn as we go - simples!
27/09/2018
Aos adolescentes dos Olivais
Vocês não sabem o meu nome mas hoje falei convosco. Este dia é lembrança de um dia feliz o sobrinho do coração faz anos e era da sua festa da escola que regressávamos.
Olhámos para o parque e uma grande confusão... Eram vocês, a gritarem, a movimentarem-se a agredirem-se disso tenho a certeza, com palavras, e talvez não tenham chegado a mais porque a minha amiga, justa e importada como poucos, nem chegou a entrar no carro e disse: vem comigo!
A confusão era tanta que só fizeram silêncio com um assobio e depois de tentarmos falar convosco ignoraram-nos.
Cinco contra quinze... a sério? Acham que assim a crescerem uns para os outros iriam resolver alguma coisa?
Sim, decidimos chamar a polícia, se era necessário? Achámos que sim. Não podíamos deixar que este bate boca continuasse porque o vosso discurso era: "Eu apanho-o e parto-lhe a boca. É preciso chamar mais gente?" E por aí fora.
Bem sei que é difícil ser adolescente, que as hormonas nos retiram a sensatez e até que a namorada de um é agora namorada do outro, mas onde é que queriam chegar sem diálogo?
Hoje tive medo do que vi, mas tive ainda mais a certeza que a melhor educação é a do amor e que ali havia muito filho, neto, aluno, irmão mal "amado", mal escutado, mal abraçado...
Aceitem pois o nosso abraço, vocês importam mesmo quando fazem disparates e não conseguem resolver. Vocês podem ser diferentes e fazer diferente.
A adolescência é tramada mas é no respeito que conseguimos sobreviver...
10/09/2018
Dez
2. Fotografei um casamento bonito de pessoas especiais.
3. Before You Feel Pressure
4. Histórias de terror laborais - pela Catarina Joan of July - a sério que isto acontece? Lendo parece saído de um livro ou um filme de terror.
5. O prisioneiro mais antigo de Portugal - há histórias incríveis. Como assim preso há 34 anos?
6. As tendências da moda transcendem-me.
7. Era uma vez um voto - uma série criada Pela Jout Jout que merece ser acompanhada.
8. Faz hoje dez anos que fui de Erasmus - há precisamente dez anos apanhava o avião e no hostel de Leuven escrevia isto.
9. O que de verdade importa - um filme para ir ver ao cinema.
10. É a minha última semana de trabalho.
07/09/2018
04/09/2018
Lights will guide you home
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| Luisa Starling |
Agarro-me com força ao que fui, com os olhos no que quero ser!
Mas não me mexo... Como destruir este coração calcificado pelos anos?
"When you feel so tired but you can't sleep"
26/08/2018
Londres
22/08/2018
Mértola
10/08/2018
Dez
2. Como não amar a Tina Roth Eisenberg - mais um artigo sobre ela. Ela é a minha girl crush!
3. 7 maneiras de aumentar a nossa vibração. "Motion creates emotion."
4. Seth Godin's Most Inspiring Speech on Fulfillment!
6. As mesmas fotografias bonitas, os mesmos locais bonitos, o mesmo Insta Repeat - a notícia e o perfil.
7. Há sempre um amanhã - um filme de final de dia.
8. Creative Mornings Manifesto.
9. Já experimentaram o Milanote?
10. O silêncio à noite...
06/08/2018
Vou ali e venho já - 5ª Viagem - Cidade do Cabo + Galeria São Petersburgo
Com atraso e sem a minha participação este mês o resultado da viagem está à vista. A "Galeria", em formato revista, inclui um resumo das fotografias e histórias recolhidas nesta viagem a Buenos Aires.
Participantes:
- Os co-organizadores Daniela e Artur, do Palavra Padrão
- A madrinha do projeto, Rita, do Go.Rita.Go
- O Pedro do Il Matto
5ª Viagem Vou ali e Venho Já
Destino: Cidade do Cabo
Data de regresso: 20 de setembro
Condições de boleia: voualiivenhoja@gmail.com
Quantidade de souvenires (fotografias): ilimitada mas não esquecer a geolocalização
Inauguração da galeria conjunta: a definir.
Vamos?
Qualquer dúvida escrevam aqui em baixo ou consultem o post de apresentação.
P.s. - não esquecer de usar a hashtag #voualiivenhoja





